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Tipos de parquet: maciço, multicamada e com padrão — qual escolher

A diferença real entre os tipos de parquet está na construção do painel e na origem do desenho. Critérios de escolha por espaço, utilização e condições do suporte, para arquitetos.

A escolha de um pavimento em madeira faz-se, na prática, entre três famílias: parquet maciço, parquet multicamada e parquet com padrão. O tipo certo decorre da intensidade de utilização da divisão, do estado do suporte e do papel que se espera do pavimento — o corredor de um escritório e o hall de um hotel não pedem o mesmo produto.

Para o arquiteto, a diferença real entre os tipos de parquet não está na designação comercial mas na construção: o que separa as três famílias são as camadas do painel e a origem do desenho. Esclarecidas estas duas questões, as opções reduzem-se sozinhas.

Porque é que a designação dos pavimentos em madeira confunde

Em Portugal as palavras que aparecem nas propostas pertencem a eixos diferentes e são comparadas como se pertencessem ao mesmo: umas descrevem o material, outras o formato da peça, outras a fixação ao suporte.

  • Maciço, multicamada e laminado descrevem a constituição. O laminado não é madeira: é uma impressão decorativa sobre suporte de fibras, e fica fora desta comparação.

  • Soalho, taco e lamparquet descrevem o formato da peça e são categorias distintas entre si: o soalho é a régua longa assente em contínuo, o taco é a peça curta aplicada em desenhos regulares, o lamparquet é a lâmina estreita e fina. Nenhum deles diz o que existe por baixo da superfície.

  • Colado ou flutuante descreve a fixação ao suporte, não o produto.

Duas perguntas arrumam esta terminologia:

  1. De que é feito o painel? Toda a espessura é da mesma madeira, ou há uma camada nobre à superfície sobre camadas de suporte?

  2. De onde vem o desenho? Nasce em obra, durante o assentamento; é composto em atelier, dentro do painel; ou chega impresso à superfície?

A primeira determina a durabilidade e a compatibilidade com o suporte; a segunda, o que o pavimento vai dizer no espaço.

Parquet maciço: o material em toda a espessura

O parquet maciço é produzido a partir de uma única peça de madeira, pelo que toda a espessura é da mesma espécie. A vantagem mais sólida desta construção é poder ser afagado e receber novo acabamento várias vezes: quando a superfície se desgasta, o material continua lá.

Em contrapartida, a madeira maciça responde às variações de humidade e de temperatura em toda a secção — dilata e retrai. As condições de assentamento são por isso mais exigentes: mede-se a humidade da betonilha antes de qualquer decisão, aclimatiza-se o material na divisão onde vai ficar e calculam-se as juntas periféricas com margem. Em áreas amplas o movimento torna-se mais visível.

Distinção: o parquet maciço mostra o material mas não transporta desenho, pelo que num projeto em que se espera do pavimento uma composição não é ele, sozinho, que faz esse trabalho.

Parquet multicamada: estabilidade dimensional

O parquet multicamada tem à superfície uma camada de desgaste em madeira nobre e, por baixo, camadas de suporte com as fibras cruzadas. O cruzamento equilibra o movimento natural da madeira: quando uma camada tende a dilatar, a seguinte opõe-se, e o painel move-se menos enquanto conjunto.

A consequência prática é conhecida: em áreas amplas e sobre pavimento radiante, a construção multicamada comporta-se de forma mais previsível do que a maciça. Em troca, a margem de afagamento fica limitada à espessura da camada de desgaste, valor que se lê na ficha técnica e não se estima. Como essa lâmina de madeira nobre à superfície determina a vida útil de manutenção, é o primeiro dado técnico a comparar entre propostas.

*Distinção: multicamada é uma decisão de construção e não um aspeto, pelo que multicamada e com padrão não são alternativas concorrentes — a maior parte dos painéis com padrão assenta nesta mesma lógica de suporte.*

Parquet com padrão: de onde vem o desenho

No parquet com padrão a pergunta decisiva é uma só: o desenho vem do assentamento, do interior do painel ou de uma impressão à superfície? A resposta separa três famílias de produto, e a diferença entre elas não é de preço, é de duração.

Na primeira família o desenho nasce em obra. É o caso da espinha e do chevron: peças individuais são dispostas segundo um ângulo definido e o motivo aparece à medida que o pavimento é assente. O resultado depende do traçado e da execução de quem assenta: o material é liso e o desenho vem da aplicação. Em Portugal esta lógica é familiar através do taco e do lamparquet, formatos pequenos cuja disposição produzia desenhos regulares.

Na segunda família o desenho é executado em atelier, antes de o produto chegar à obra. Parquet em marchetaria é o pavimento em madeira em que peças cortadas de espécies diferentes são compostas até formarem um motivo, de modo que o desenho não está impresso à superfície: é a própria madeira que o transporta. O painel chega à obra já com o desenho feito e a precisão do motivo depende do corte em produção, não da destreza de quem assenta.

Na terceira família o desenho é uma impressão ou um filme decorativo. À distância pode parecer próximo das outras duas, mas o material é outro: a impressão desaparece com o desgaste e não admite afagamento.

A distinção pesa, porque as três famílias são listadas nos catálogos sob o mesmo rótulo de padrão. No parquet em marchetaria o motivo existe na profundidade do material: renovar o acabamento não apaga o desenho. O artigo o que é parquet em marchetaria desenvolve a categoria em detalhe.

Comparação dos três tipos

Parquet maciço

Parquet multicamada

Parquet em marchetaria

Estrutura

Peça única de madeira

Camada de desgaste sobre suporte cruzado

Suporte multicamada com motivo composto

Origem do desenho

Não transporta desenho

Superfície geralmente lisa

Do interior do painel, pelo contraste entre espécies

Humidade e temperatura

Toda a secção trabalha

Fibras cruzadas equilibram

Mesmo princípio do multicamada

Renovação da superfície

Vários afagamentos

Limitada à camada de desgaste

Limitada à camada de desgaste; o desenho não se perde

Relação com a planta

Baixa

Baixa

Alta — o módulo relaciona-se com os eixos da divisão

Quando é a escolha certa

Material em primeiro plano

Estabilidade em área ampla

Pavimento que dá carácter ao espaço

Que tipo para que espaço

  • Se o pavimento deve ficar em segundo plano, uma superfície lisa é a resposta correta: o desenho exige atenção e nem todos os espaços a suportam.

  • Se o pavimento deve construir o carácter do espaço — hall de entrada, receção de hotel, showroom, sala principal de uma moradia — o parquet em marchetaria faz esse trabalho como nenhum outro material.

  • Em áreas amplas e contínuas, a proporção entre a escala do módulo e a do espaço é determinante: um motivo miúdo dissolve-se em textura numa sala grande, um motivo grande fragmenta-se num compartimento estreito.

  • Em espaços comerciais de utilização intensa, o critério deixa de ser visual: a espessura da camada de desgaste e o acabamento definem o intervalo de manutenção.

Espécie de madeira e acabamento de superfície

Fixado o tipo, restam duas variáveis que determinam o carácter final do pavimento.

A espécie de madeira é a origem da cor e do veio. O carvalho oferece uma amplitude de tons larga e aceita bem o tratamento; a nogueira dá um pavimento escuro e quente; a teca tem uma estrutura densa e equilibrada; a bétula é clara e de veio fino. Em painéis de parquet em marchetaria estas espécies não se usam isoladamente, mas umas contra as outras: a legibilidade do motivo nasce da diferença de tom entre duas madeiras contíguas. Um motivo composto numa só espécie, por melhor que esteja cortado, não se lê à distância.

O acabamento de superfície estabelece a relação entre a luz e o pavimento. A superfície escovada realça o veio e quebra o reflexo; o tratamento fumado escurece o tom em profundidade e não apenas à superfície; o efeito metálico sublinha os limites do motivo; a superfície lisa mostra o desenho sem jogo de sombra. O mesmo desenho lê-se como dois pavimentos diferentes em escovado e em liso — por isso a decisão toma-se sobre amostra, na luz do próprio espaço.

Três erros frequentes na escolha do parquet

Os erros que se repetem nas obras não vêm da produção, vêm da ordem das decisões.

  • Escolher o desenho antes de fechar as medidas. Num painel com padrão a escala do motivo depende da medida do módulo; alterada a medida, a composição é recalculada. A ordem é: medida do espaço, medida do módulo, desenho.

  • Tratar a preparação do suporte como assunto exterior. A planeza e a humidade da betonilha limitam à partida os tipos disponíveis; a medição faz-se antes da escolha do parquet, não depois.

  • Avaliar a amostra no ecrã. O tom da madeira e a textura não sobrevivem à fotografia; a amostra avalia-se na luz natural do projeto, ao lado dos restantes materiais.

Que tipo de parquet funciona com pavimento radiante?

Sobre pavimento radiante o fator determinante não é a espécie de madeira, é a construção do painel: os painéis multicamada, com camadas de suporte de fibras cruzadas, comportam-se de forma mais estável do que a madeira maciça, que responde às variações de humidade e de temperatura em toda a secção. A compatibilidade varia, ainda assim, de produto para produto e não dispensa verificação — confirma-se na ficha técnica e nas instruções de assentamento do fabricante.

Resumo da decisão

Cinco perguntas fecham a escolha:

  • O pavimento vai ser fundo neutro ou vai construir o carácter do espaço?

  • Que construção exigem as condições do suporte e o sistema de aquecimento, maciça ou multicamada?

  • Se houver desenho, deve vir do assentamento ou do interior do painel?

  • Que paleta de tons funciona com a pedra, a caixilharia e os têxteis vizinhos?

  • Que intensidade de utilização determina o acabamento e o intervalo de manutenção?

Respondidas estas perguntas, resta um tipo e poucas tonalidades; o resto decide-se sobre amostra.

Próximo passo

Se no seu projeto se espera que o pavimento construa carácter, comece pelos painéis em que o desenho vem da própria madeira. A Akarsu Parquetry é um fabricante de parquet em marchetaria com atelier em Istambul, onde são realizados o desenvolvimento dos padrões, a seleção da madeira, o corte de precisão e os tratamentos de superfície.

Percorra a coleção de padrões para ver que escala de módulo e que paleta de tons correspondem ao seu espaço e, com os dados da divisão, da área e da orientação pretendida, peça uma proposta. Para representação ou fornecimento continuado na sua região, a candidatura a revendedor é um caminho distinto.

Tipos de parquet: qual escolher para cada projeto? — Akarsu Parquetry